muito prazer, eu sou o cainã
Tem uma frase do filósofo Confúcio: “Onde quer que vás, vai com todo o coração.
É assim que eu viajo. É assim que eu conto histórias.”









Eu nasci na famosa cidade de Taubaté, amplamente reconhecida pelos seus memes. Cursei jornalismo e, ao longo do caminho, me aprofundei em diferentes formas de expressão, como artes cênicas e locução publicitária. Antes de entender exatamente onde queria chegar, experimentei muitos cenários. Trabalhei com exposições, atuei como assistente de fotografia, fui curador de festivais de cinema e, nesse percurso, sempre orbitei histórias, imagens e pessoas.
Mais do que destinos, sempre me interessaram os encontros e aquilo que escapa do óbvio, o que passa despercebido à primeira vista. Viajar, pra mim, nunca foi sobre acumular carimbos no passaporte, mas sobre deslocar certezas, principalmente as minhas.
Sendo espiritualista, sempre me fascinaram as expressões de fé, devoção e todas as manifestações ligadas às tradições de uma região. E, nas viagens, nunca foi diferente. Foram incontáveis celebrações, rituais e ritos que pude presenciar, e experiências que também encontraram na escrita uma forma de permanecer. Sempre amei as palavras e, desde os 16 anos, já tinha meu blog; escrevia crônicas, contos e alguns amores. Hoje compartilho no Substack trechos de um futuro livro, onde revisito a travessia pelo continente africano.
Essa relação intensa com o mundo começou quando decidi fazer um intercâmbio para a África do Sul. Desde então, nunca mais parei. Ao longo de quatro anos, percorri diversos países do continente africano, aprendendo, na prática, que estrada também é sala de aula. Até que a pandemia chegou ao seu auge, a coisa ficou bem feia pro meu lado, e fui obrigado a voltar ao Brasil, repatriado. Risos de nervoso.
Esse retorno forçado foi um baque que me fez desacelerar e repensar tudo: a ideia de casa, de pertencimento e até do que significa seguir viagem. Foi nesse chão puxado que o Viajante sem Pauta deixou de ser apenas um podcast e passou a ser um espaço de escuta, troca e acolhimento.
Hoje, estar à frente do Viajante sem Pauta rege minha vida. O podcast e a comunidade que nasceram a partir dele são minha principal ocupação e paixão. Um lugar onde a viagem é menos sobre roteiro e mais sobre gente, contexto, contradição e transformação. Porque, no fim, viajar também é uma forma de aprender a olhar para o mundo e para dentro.
Podcasts que já participei:
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Também mantenho um canal no Substack, onde divido escritos pessoais, bastidores do podcast, encontros da comunidade e, ocasionalmente, textos autorais que atravessam minha passagem pelas terras africanas.




A torcida calou o coração
O tempo seco não favorecia os jogadores, e a poeira levantada durante o jogo tampouco perdoava a torcida. A cada gol, a multidão invadia o campo em êxtase, e a vibração sob nossos pés me fazia questionar se as placas tectônicas africanas estavam mesmo desgastadas.

O general Mpsi
Nas manhãs gélidas escuto o chiado do rádio e os passos abafados que denunciam sua aproximação. Na fresta da cozinha, se esconde por trás de um sobretudo enquanto revira páginas de um jornal desatualizado. Mesmo com a idade avançada e a voz rouca, não media esforços ao criticar o regime ditatorial de seu país.

O motorista
Ao primeiro passo dentro do automóvel, somos recebidos calorosamente por um motorista de traços acolhedores e de bochechas rechonchudas. Os botões bem alinhados da gola e camisa eram indicadores de um funcionário dedicado. Seu carisma era acompanhado de um eufórico “Que Deus o acompanhe! dirigido a cada passageiro

A autoridade
O solado da bota ecoa como um prenúncio de que o chão de madeira cederia sob seu peso. O brutamontes, de bigode ralo, lança-me olhares furtivos, sem proferir uma palavra sequer. O silêncio de seus movimentos é preciso. O simples clique da caneta, uma baforada de nicotina ou até mesmo sua respiração profunda indicavam que eu estava diante de algo sério.
